O melhor da Mostra de Cinema sem dúvida é a fila. A fila é tão boa que devia evoluir no Sambódromo. Os filmes também deveriam evoluir na avenida, junto com o pessoal que escreve as sinopses no site da Mostra.
Eu tenho dois favoritos ao tamborim de ouro:
Quem Matou a Pequena Lhama Branca?
Jacinto e Domitila, um casal de índios bolivianos, são os criminosos mais procurados do país. “El Negro” os contrata para transportar cinqüenta quilos de cocaína de El Alto, a mais alta cidade do mundo, para o Amazonas, na fronteira brasileira. Disfarçados de fazendeiros, com a cocaína escondida num falso útero grávido em Domitila, a viagem dos dois começa nas montanhas nevadas da Bolívia e atravessa todo o país, passando por desertos, vales, minas de carvão, cidades e florestas. “El Negro” é, na verdade, um americano loiro de olhos azuis, que fugiu do departamento norte-americano de narcóticos na Bolívia. Ele justamente enviou dois de seus melhores homens para que a unidade federal de combate às drogas os capturasse, distraindo assim a imprensa e os reforços policiais enquanto ele embarca a cocaína num avião para a Colômbia. Cacho, um tenente corrupto, e o aprendiz Maurício, um jovem cadete racista, iniciam uma longa jornada repleta de humor e de momentos interessantes. Acidentalmente, eles matam uma llama branca e atribuem a culpa a um casal gay de turistas. Enquanto isso, a relação entre Jacinto e Domitila fica mais complexa, porque ela realmente engravida e quer parar com o tráfico. Jacinto quer antes juntar mais dinheiro, para que o filho não cresça marginalizado como 60% da população boliviana.
Boneca do Minhocão
História ficcional de duas vidas roubadas pelo sistema. Tirada da casa da mãe por uma oferta irrecusável, feita por um comerciante da rua 25 de Março, no centro de São Paulo, uma menina é criada num apartamento. Trancada ali dos dez aos dezoito anos, ela então é despejada pela furiosa esposa do comerciante. Apenas uma pessoa ouvia os gritos de sua alma – Leandro, um jovem que trabalha, no período noturno, no Instituto Médico Legal. Num passeio de bicicleta pelo Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão, ele viu a moça pela janela do apartamento.
Os dois são nota 10 em samba-enredo, comissão de frente, alegoria e adereços, mestre-sala e porta-bandeira. Mas acho que o primeiro ganha no quesito ala das baianas.
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E o Troféu Denúncia Social vai para Wal-Mart - O Alto Custo do Preço Baixo.
É tão bom que merece uma série:
Carrefour: o barato que sai caro
Pão de Açúcar: medo, delírio e pedofilia
Makro, a maldição do atacadão
Vontade de ter uma livraria só pra ofender os autores. E o leitor também, claro.
Nada de organização por tema e ordem alfabética. Agruparia livros em estantes assim:
Véio broxa
Morreu virgem
Recebeu bolsa-família
Analfabeto funcional
Ele era a mãe
Carecas de bigode
Nem parece peruca
Olavetes de Chevette
Conservadores que dizem cu
Passou a vara em Che
Controla o calendário sem utilizar as mãos
Pega na teta do titio
Tá com pena? Leva pra casa
Cigano Igor já leu
Livros que o Tiririca não gosta
Comi muito
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Leitor: - Onde eu acho Machado de Assis?
Vendedor: - Na prateleira Carecas de Bigode.
Leitor: - Mas o Machado não era careca!
Vendedor: - Percebo que o sr. não conhece muito Machado de Assis.
Leitor: - Como não?! Já li praticamente tudo dele!
Vendedor: - E não percebeu a calvície? Tsc, tsc...
Leitor: - O sr. está ofendendo um clássico da literatura MUNDIAL!
Vendedor: - Daqui a pouco o senhor vai me dizer que os clássicos não envelhecem.
Leitor: - Mas é isso mesmo: eles nunca envelhecem!
Vendedor: - Envelhecem e ficam carecas. Só um cego pra não perceber a calvície de Machado de Assis.
Leitor: - O Machado tinha cabelo e até topete! Não era careca.
Vendedor: - Tá certo, não era careca. Qual a próxima barbaridade que senhor vai me dizer a respeito do Machado de Assis? Que não tinha bigode?
Leitor: - Bigode tinha. Careca eu não admito!
Vendedor: Tá bom, não vamos mais discutir, o cliente tem sempre razão. Vou mudar o Machado de Assis para a prateleira Nem Parece Peruca, ok?