setembro 30, 2004

O santo que virou mestre

Acontece hoje o tão aguardado batizado de capoeira do mestre Agostinho

Grande capoeirista baiano-alemão, Agostinho recebe nesta quinta-feira o título de mestre pela Universidade de São Paulo. Com essa conquista, Agostinho se tornará o primeiro capoeirista psicofísico do mundo. O Santo está muito feliz com o título que já considera mais importante do que a sua canonização.
O atleta, pesquisador e santo acredita que a miscigenação racial foi fundamental para a sua conquista: “Não teria chegado tão longe não fosse a união da ginga baiana com a disciplina alemã”. Emocionado, agradeceu aos pais e ao país, o Brasil multi-étnico, pela sua herança genética, e declarou que Bahia e Alemanha estão contempladas na conquista desse título inédito na história da capoeira acadêmica.
Após a cerimônia de entrega do título, Agostinho fará demonstrações de sua arte-ciência gingando para os maiores psicofísicos do Brasil.
Um brinde ao mestre!

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Posted by Colorina at 5:57 PM

setembro 27, 2004

Tudo o que você sempre soube sobre sexo

Andei xeretando a banca de revistas e, nas capas das publicações femininas, fiz uma descoberta muito importante sobre mim: não sei o que é sexo. Incrível como pude me enganar por tanto tempo, jurava que sabia, mas as revistas me dizem que não tenho nem uma vaga idéia.
Minha ignorância pessoal alertou-me para um problema social: assim como eu, muita gente por aí deve estar enganada achando que sabe o que é sexo e praticando sabe-se lá que tipo de aberração na cama. Faz-se urgente uma campanha nacional de conscientização: “Pela correção do ato sexual na população”.
Segundo as revistas femininas, se você não tem certeza do que é sexo, melhor parar de fazer e estudar mais para aprender a fazer direito. Fazer do jeito errado pode ser perigoso, além dos riscos para o coração, o sexo errado pode causar dor nas costas, prejudicar o ciático, aumentar o diabetes e, pior ainda, pode ser bom.
E não adianta estudar sexo pelo Kama Sutra, os orientais são muito diferentes de nós, talvez nem tenham os genitais na mesma posição que os nossos, mas isso é só especulação. A diferença comprovada é que eles fazem posições sexuais, nós costumamos fazer sexo. Sutil diferença, uma questão de movimento.
Mas não se preocupe, está tudo bem com você se gosta de fazer à indiana, plantar bananeira também é bom, apenas saiba que você corre o risco de não estar fazendo sexo. Por outro lado, há quem defenda que é uma caretice isso de ficar definindo o que é sexo, definir é restringir, já diria Serguei, grande usuário de sexo.
Bonito mesmo é ver iniciativas de inclusão sexual, como fazem certas escritoras sensíveis da atualidade que estimulam o sexo na terceira idade. Senhoras antes entregues ao crochê, desacreditadas do desejo, estão descobrindo que toda velha decadente tem seu charme e que sempre é tempo de seduzir. Sucesso de vendas já é o kit de técnica sexual para a terceira idade, o kit contém o manual ilustrado “Trepar é transgredir” mais o “Guia prático para o sexo saudável na melhor idade”.
O sucesso desses livros mostra uma nova tendência para as publicações da área, mesmo para o público mais jovem. Os teóricos do sexo estão fora de moda, nem psicanalistas, nem franceses -até mesmo a dona Marta abandonou a sexologia para seguir carreira como prefeita-, o mercado agora aposta em produtos mais práticos e mais moderno como os manuais técnicos ilustrados e os CDs interativos com testes virtuais, simulados e gabarito das respostas, tudo para você acertar no sexo e não fazer feio na cama.
Siga corretamente as instruções e tenha um bom sexo.

Posted by Colorina at 4:40 PM

setembro 26, 2004

O estranho gosto das mulheres

É muito bonito um homem narigudo que sabe ser narigudo, um homem que sabe sustentar um grande nariz.

Para Cami
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Um homem que sabe usar o terno e o nariz.

Posted by Colorina at 3:13 PM

setembro 12, 2004

A conversa que eu tive com Deus antes de ele me mandar pro inferno

Parte IV: A aceitação

- Se me permite um comentário, o seu projeto de inferno-piloto está muito bom, logo vai estar melhor que o original.
- É a intenção.
- Eu queria só saber o que eu fiz pra merecer ser jogada lá.
- Em primeiro lugar, não é jogada, é designada. Quanto ao porquê, ele é o meu maior mistério. Mas não se preocupe tanto, talvez nem tenha feito nada.
- Aí que me revolto mesmo. Se ainda fosse para pagar pecado, ficaria mais fácil me conformar. Mas sem um porquê...
- O porquê, o bendito porquê. Todo mundo encasqueta com esse porquê.
- Claro, queria que a gente aceitasse de pronto? Mansidão tem limite, lord. A sua não?
- Não, acho que não.
- Mas no seu caso é bem mais fácil, ninguém te impõe nada.
- A vantagem dos altos cargos.
- Não vai mesmo falar o porquê?
- Porque sim. Porque eu quis.
- Assim, de graça? Desse jeito vou ser obrigada a desconfiar da sua bondade.
- Eu tenho os meus motivos, é só isso o que você precisa saber.
- E depois dizem que aquela história de testar o pobre do Jó foi idéia do satanás. Sei não.
- Menininha, já ta extrapolando de novo, né?
- Por falar em menininha, eu vou descer homem ou mulher?
- Mulher mesmo.
- Sabia! Faz parte do carma, pacote completo.
- Que revolta mais boba. A mulher é umas das coisas mais belas que eu criei. Dei à mulher o poder de gerar vida...
- Tá, tá, já sei o texto todo, concordo. Não tô levantando nenhuma polêmica sexista, foi só um pensamento baixo.
- Qual?
- Esquece. Pensei uma coisa nojenta.
- Fala.
- Xá pra lá.
- Fala, ué. Preciso saber de tudo.
- Já pensou o que é ficar menstruada no calor?
- Hahahahaha. Que horror!
- Falei que era nojento.
- Deve ser mesmo, foi um erro grosseiro, prometo que vou tentar consertar. Mas vai, te apressa que eu já vou te descer.
- Deixa eu ficar, eu fico aqui quietinha, juro.
- Não.
- Faço ambrosia todo dia.
- Não. Nem sou eu que gosto de ambrosia, são outros caras aí.
- Então deixa eu levar alguém comigo, pra ser cúmplice da mesma existência.
- Não. Que coisa! Não sabe ouvir um não? Não é não.
- Mas é que eu gosto tanto daqui.
- Você acha que eu crio as minhas almas para ficarem aqui, na barra do meu manto?
- Não, o senhor cria pra jogar nos seus maravilhosos projetos-pilotos.
- Filha, se eu estou te mandando é porque eu sei que você agüenta.
- Detesto quando o senhor fala como um gerente de recursos humanos: “estamos te transferido porque sabemos que você ficará melhor nessa nova função”.
- Mas eu sou o maior gerente de recursos humanos do universo.
- É verdade, se tem uma coisa que o senhor é, é isso.
- Mas me dá cá um abraço. Não faz essa carinha, você vai se divertir, prometo.
- Pelo menos dizem que a vida passa rápido.
- Alguns têm mesmo essa impressão.
- Uma última coisa, deixa eu lembrar do senhor enquanto estiver lá?
- Lembrar não, vai ter que acreditar. Fé!
- Juro que eu não entendo esse seu capricho.
- Tá bom, minha ranheta, te mando umas lembrancinhas daqui de cima enquanto você estiver lá embaixo. Mas cuidado com a cabeça.
- Palhaço!
- Você ainda não me viu bravo.
- Nem quero ver. Se bonzinho assim já me manda pruma dessas...
- Vai, vai que eu quero te descer antes do almoço.
- Condenada e sem direto à última refeição?
- Nada de refeição. Senão a gente fica adiando, depois do almoço o cafezinho, aí uma descansadinha e nunca que chega a hora. Vou te descer é agora.
- Tchau, então.
- Tchau, minha menina, até mais.
- Lá vou eu. Que cruz, meu deus!
- Quê?
- Nada, não é com o senhor não, é com o retórico.
- Ah o retórico! Preciso dar um jeito nesse cara. Com essa desculpinha aí foi que vocês deixaram de cometer o pecado de falar meu nome em vão. “Não, não estava pensando no senhor quando falei ‘meu deus!’. Era só um ‘meu deus’retórico”. Acho que vou começar a contabilizar como pecado também cada vez que falarem em nome do retórico.
- Ah, isso é uma coisa que eu queria te falar faz um tempo, aquela sua listinha de mandamentos tá meio caída, tá precisando dar um a atualizada nela. Na dos pecados também.
- Cê acha mesmo?
- Acho. Ninguém mais liga pra aquilo. Isso sim que ficou retórico, literatura, uma palavra atrás da outra. É isso que fizeram da sua palavra, li-te-ra-tu-ra.
- Valeu pela dica. A partir de agora vou castigar também quem escrever meu nome em vão.
-Não, não! Não é isso! Não precisa castigar ninguém, é só se dar mais respeito. Tem que melhorar a sua altivez, lord. Uma pessoa não pode pensar que a palavra de Deus é a mesma coisa que um livro do Zuenir Ventura.
- Tem razão, minha moral tá abaixo da Zíbia Gaspareto. Respeitam mais o espírito do Lúcio do que os meus evangelistas.
- Então, deixa eu ficar pra te ajudar nessa parte, ser sua assessora de imprensa, que tal?
- Não, não, não. Quem sabe na volta.
- Ok, desisto. O senhor venceu.
- Vai, se anima que você tem uma vida inteira pela frente.
- Infame!
- Adoro dizer isso, é o meu bordão predileto.
- Eu prefiro o do Paulo Silvino.
- Vai, vai com deus.
- Com quem?
- O retórico, o retórico. Maldito retórico! Ainda vai me desbancar.

FIM

Posted by Colorina at 1:30 PM

setembro 9, 2004

A conversa que eu tive com Deus antes de ele me mandar pro inferno

Parte III: A diversão

- Escuta, e o que eu vou fazer pra me divertir nesse lugar?
- Ah, muitas opções. Todo sábado te convidarão para uma feijoada ou para um churrasco.
- E eu não vou, porque vai ter mau gosto assim no inferno. E que burros! Feijoada, caipirinha e churrasco num lugar de altas temperaturas? Nada mais inapropriado.
- Lá é o inferno. Piloto, mas é inferno.
- O senhor não tá exagerando, não? Essa coisa de feijoada e caipirinha, churrasco e pagode é meio folclórica, acho que ninguém faz isso de verdade.
- Pois é, eu também me assustei, imaginei que não fizessem, fazem sim. E juro que não foi nada programado, foi um aspecto espontâneo do meu inferno-piloto, eu dei o livre-arbítrio e as pessoas de lá usaram desse jeito. Acabaram mesmo ficando folclóricas, bem típicas do lugar, você vai ver, são do jeitinho daqueles estereótipos tropicais que descrevem por aí.
- Mas todo mundo igual?
- Não, não, a maioria. Tem as variações. Os intelectuais-culturais, por exemplo, são de uma espécie diferente da dos tropicais.
- Pelo nome já vi que vou ficar entre a cruz e a caldeirinha: tropicais do samba x intelectuais da cultura, páreo duríssimo. Mas conta, como é que são os intelectuais-qualquer-coisa?
- Os intelectuais-culturais? Ah, são, são... são intelectuais, ué. E gostam de cultura.
- Grande descrição! Não dá pra explicar melhor? Quer fazer desenhinho pra ficar mais fácil?
- Você não me perdoa, não é? Não posso errar uma.
- Mas como é que eu posso esperar erro vindo da vossa perfeição? E se eu for considerar que o senhor erra, o que eu vou esperar do resto?
- É...é difícil atender às suas expectativas a meu respeito.
- E eu nem sou das mais exigente. Mas o senhor tem que concordar, vindo do senhor não dá pra esperar nada menos do que divino.
- Acho que eu te dei liberdade demais, menininha, não se fala uma coisa dessas pra mim.
- Mas o senhor, tão vaidoso, deveria ficar feliz. Estou te chamando de perfeito.
- Mas eu sei que eu não sou.
- Vixe! Mexi na feriada narcísica. Desculpa, nem sabia que o senhor tinha uma.
- Pois eu tenho, bem maior e mais sensível que a sua.
- Quer dizer que aquela história da perfeição...
- Vamos deixar isso pra lá.
- Ok, my lord, não precisa fazer essa cara de desolado. Falemos dos culturais.
- Na verdade, estou com medo de te descrever os intelectuais-culturais, acho que você vai me odiar por eles existirem.
- Pense pelo lado bom, chocada por chocada eu já estou demais com essa história aí da sua imperfeição. E nem por isso eu te odeio. Não é um tipinho terreno qualquer que vai me fazer te odiar, mesmo que tenha sido idéia sua.
- Obrigado por ser tão misericordiosa comigo. Diante de tanta condescendência para com a imperfeição de um deus me sinto até mais encorajado pra falar.
- Então fala logo porque eu não sou nada divina e já estou me roendo de curiosidade.
- Bom, intelectual-cultural é um tipo de gente que gosta de vestir gola rolê e tomar vinho Chapinha, tomar não, eles apreciam um Chapinha enquanto discutem filmes de arte, literatura de Fuvest e lamentam a falta de uma política de incentivo à cultura. Ou então fazem uma roda de violão pra cantar MPB em coro enquanto se olham nos olhos e sorriem cúmplices, irmãos na cultura nacional. Alguns lacanianos, muitos antiimperilistas, meia dúzia que acha que é artista...
- Chega, tá bom já. Prefiro os típicos, os nativos. Me deixa no meio dos nativos, comendo banana e sambando debaixo do sol.
- Hahahaha. Imaginei mesmo que fosse preferir.
- Elementar, meu caro. O senhor errou feio com esse tipo intelectual. Foi livre-arbítrio também?
-Não, pior que não, eu mesmo fiz. Foi uma tentativa de dar um charme pro lugar. Mas eu só dei o espírito cultural, o vinho ruim e a gola rolê é por conta deles.
- É, definitivamente o senhor é falível. Mas sabe que valeu pela piada? O senhor pode não ser perfeito, mas que tem senso de humor, ah, isso tem. E depois, é um bom tipo para um projeto de inferno.
- E não é? Mas não se preocupe, você se sairá bem. Saberá escolher com quem conviver e te darei a sorte de encontrar pessoas muito agradáveis, que tornarão a sua existência mais leve, mesmo no calor.
- Que bom! Até me alegro. Dou até um sambadinha...e de ponta de pé. Assim que eles fazem?
- Acabei de me convencer que eu erro. Tenho que admitir, com você exagerei na ironia.
- Pelo menos eu não uso gola rolê. E eu te divirto, não é verdade?
- Ô! Ainda bem que a minha paciência é infinita.

(continua)

Posted by Colorina at 6:34 PM

setembro 3, 2004

A conversa que eu tive com Deus antes de ele me mandar pro inferno

Parte II: A vocação

- Modéstia à parte, sou muito bom com mistérios. Outra boa qualidade minha é a vocação para distribuir vocações.
- E você não vai dizer qual é a vocação que me cabe porque é muito misterioso, certo?
- Errado, mesmo sendo muito misterioso vou revelar a sua vocação com antecedência. Porque você é legal e porque, além de muito misterioso, eu sou muito bonzinho.
- Então, já que você é tão bonzinho e eu vou ter que trabalhar, eu queria pedir uma vocação assim...pra trabalhar num lugar fechado, com ar condicionado o dia todo, num shopping por exemplo, ou num escritório, tem um monte de profissão de escritório, de consultório.
- Desista, darling, você não vai conseguir, teu espírito não é pra essas coisas. E eu já te preparei uma outra vocação, uma beleza!
- Lá vem. Vou ter uma necessidade irrefreável de ser recapeadora de ruas, mexer com pedras, piche, um trabalho bem braçal. Faxineira? Cozinheira, que é pra esquentar bem?
- Não, exagerada. O seu talento será cuidar das gentes doidas, você vai gostar dum doido que só vendo, vai até trabalhar num hospício.
- Taí, gostei. Acho que vai ser divertido.
- Vai,vai. Mas vai ser também a sua provação.
- Por quê? Muito difícil cuidar dos loucos?
- Não, essa é a parte fácil. A provação vai ser o calor. Deixa eu te ambientar: os hospícios têm enormes pátios de cimento que esquentam horrores ao sol. Os que estão privados do juízo pleno costumam desconsiderar o mundo ao redor deles, portanto, ao contrário de você, não estão nem aí pro calor, estão acima e além do clima e das temperaturas. Então, acontece que, mesmo no verão, nas horas mais quentes do dia, os seus doidinhos circularão por esses pátios com blusas de frio, casacos de flanela com dois dedos de grossura.
- Pior pra eles.
- Aí é que está, você não vai conseguir essa indiferença,. Vai ficar transtornada com a cena, e sua sensação de calor aumentará muito quando topar com eles agasalhados, fritando nesta chapa quente. Terá ímpetos de recolhê-los, mas eles não te ouvirão, agirão como se estivessem confortáveis, sem entender o seu desespero.
- Nossa! Deixo eles lá fritando. Depois o senhor vê como me castiga.
- Não será tão simples assim. Você vai querer muito, de todas as maneiras, sensibilizá-los para o calor, protegê-los do sol nada amador do meu inferno-piloto.
- Quanta abnegação! Eu não vou dar conta dessa missão. Me vê outra, uma que seja mais a minha cara.
- Não é uma missão, é uma provação. Você peregrinará atrás deles pelos pátios, tentando convencê-los a levantarem-se do cimento em brasa, buscarem uma sombra, insistindo para que tirem seus casacos, e, sem percebe, estará submetida às mesmas condições de temperatura que eles, padecendo do mesmo mal, do mesmo calor infernal.
- Chega, chega. Já to suando só ouvir. Isso é carma?
- Se você quer entender assim...
- Não dá pra pechinchar esse carma?
- Não, sem choro nem vela. Agora chega que já te revelei mais do que devia.
- Quanto tempo você acha que eu duro num lugar desses? Meia hora? Quarenta minutos? Vou morrer de câncer de pele fulminante.
- Morre não, vai agüentar. Esse é o barato, você vai sempre ter a impressão que não vai agüentar, mas agüenta.
- Maior barato, hein?
- Pensa que tem sorvete.
- Vou suportar uma existência inteira pensando em sorvete.
- Vai. Você vai pensar muito em sorvete, sempre que estiver em dificuldade de temperatura. Sorvete será tua grande muleta existencial.
- Mas então eu vou gostar muito de sorvete, vou amar, delirar por sorvete?
- Mais ou menos.
- Aí, detesto quando vem com esse mais ou menos. O mais ou menos sempre me desconta o prazer absoluto em alguma coisa.
- Você vai gostar de sorvete, mas, mais do que gostar, você vai ter necessidade de tomar sorvete, sabe como é...o calor, o calor. Só que você vai gostar muito de café também, mas não vai conseguir tomar café, via ser insuportável... o calor, o calor.
- Já entendi, vou tomar sorvete mas com muita vontade de tomar café. Insatisfação garantida.
- Perfeita definição, é isso mesmo. Vou até usar esse nome para batizar meus planos desse tipo: Estratégia da Insatisfação Garantida.
- Que sacanagem! Deixa eu não gostar de café, pelo menos isso. Em troca do nome que eu acabei de te dar.
- Nã. Olha aqui pro dedinho do papai: na-nã-nã

(continua)

Posted by Colorina at 3:52 PM