março 22, 2005

A irmã de Palmira e os netinhos do Salim em: Costume antigo

Dona Neosaldinha ia para a praia só para ver as crianças se queimarem. Ficava protegida do sol, só sonhando. Lembrando dos tempos em que os meninos mostravam pitus e ela mostrava o siri. Bons tempos o de dona Neosaldinha.

Gostava de crianças, mas estava velha e sentia muita dor nas costas.

"Criança é bom, mas dá dor nas costas", a amiga de barraca costumava dizer, inocente e alheia aos prazeres da mulher.

Sua velha tia Tertúlia, macaca véia no asssunto, já havia prevenido Neosaldinha:

"Aproveite das crianças enquanto tem idade para isso, depois dos 35 não se tem mais disposição física, e as pessoas começam a olhar feio pra você... Depois dos 35, pra quem ainda é vivo, só resta o balanço no capô de fusca...", suspirava, com os olhos cheios d'água e de lembranças do falecido Major e seu corcel cor de vinho.

Foi quando uma criança, um menino de uns quatro, cinco anos invadiu correndo a sala onde as duas conversavam e pulou ligeriro para o colo da tia Tertúlia. A criança, só de cuequinha do Bob Esponja, beijou e abraçou muito a velha dona.

Enquanto ia pra frente e pra trás na cadeira de balanço, com o garotinho no colo, tia Tertúlia dizia para a desanimada Neosaldinha:

"Mas ainda, mesmo para as velhas almas, ainda resta uma esperança. É quando nascem os netos."

Posted by Colorina at março 22, 2005 12:12 PM