Tenho saudade do tempo que seus olhos calmos me olhavam com vontade, se demoravam em mim.
Tenho raiva desse tempo. Seus olhos aflitos mal me tocam, por certo que não me reconhecem, eles não me vêem.
Seus olhos apressados que esbarram em mim e o seu beijo burocrático que me dói na boca.
Culpo o tempo porque é irresistível. Ele se presta bem ao papel do maldito que carrega a destruição, em silêncio. Mas não é verdade, o tempo é inocente do nosso fim.
Aconteceu como em alguns filmes que fazem hoje em dia, vai acabando, acabando e acaba. Discreto, previsível até; não veio espalhafatoso, tropeçando em nossos pés, gritando alto e fora do tom.
E eu até gosto que seja assim, uma bossa triste cantada em voz serena. Essa falta da apoteose última me mostra que o fim não é mais importante que tudo nosso que veio antes.